quinta-feira, 2 de julho de 2009

Um pouco sobre mim...

Comecei a escrever muito nova. Ainda mal sabia escrever, já queria brincar com as palavras. A verdade é que antes de aprender a escrever, eu já inventava histórias. Quando eu brincava com as minhas bonecas, não me limitava a fazer-lhes papinha ou a vesti-las, dava-lhes personalidades distintas e conflito. Lembro-me que a minha primeira "obra" foi um poema de Natal que espantou tanto a minha Professora Primária que ela foi chamar as outras professoras para me ouvirem. Na altura não liguei muito e continuei a escrever poemas por graça.

Durante muito tempo não entendi a minha relação com a escrita. Não via grande sentido no que fazia porque tudo me saia facilmente. Quando era preciso um poema para o aniversário de alguém ou para um projecto da escola, lá ia eu em cinco minutos escrevê-lo.

Foi com a adolescência que comecei a levar a escrita mais a sério e a entender como esta poderia ser uma forma de fugir à realidade para mim. Aos treze anos comecei a produzir poemas em inglês com uma frequência que ainda hoje invejo e aos quinze comecei a escrever o meu primeiro livro. Com a longa prosa, perdi-me e decidi entregar-me ao mundo da escrita de vez.

Poucas pessoas me incentivaram a seguir o mundo das letras. Afinal, há muito pouco a ganhar com elas e a verdade é que cada vez menos pessoas gostam de ler. Se eu tinha capacidades para ser engenheira ou médica ou economista, para que é que ia perder o meu tempo com as letras? Eu teimei. Tinha experimentado o doce gosto de escrever um livro (todo à mão, 333 páginas!), não podia voltar atrás, seria como trair-me.

Lá segui eu o caminho das letras e ao chegar à Faculdade, a tão ansiada Faculdade onde finalmente todos me iam entender, deparei-me com um grupo geral de pessoas que detestavam livros. A desilusão foi imensa mas consolava-me o plano de ir fazer um mestrado em Creative Writing em Londres. Quando as circunstâncias da vida me ofereceram a oportunidade de sair da Faculdade de Letras e começar de novo uma licenciatura em Creative Writing, não hesitei. Nos três anos do curso aprendi muito sobre a arte da escrita e desenvolvi imenso as minhas capacidades. Sim, o talento ou a propensão, como eu prefiro dizer, não se ensina, mas já alguém achou um diamante não trabalhado bonito? De repente, tive que produzir contos, parágrafos, ideias e poemas sobre tudo e de todos os géneros a um ritmo alucinante e adorei a experiência. Aprendi mais sobre técnicas e tive a oportunidade de reconhecer os meus pontos fortes e os meus pontos fracos, todas as semanas tinha que auto-analisar e justificar as minhas escolhas perante vinte ou trinta pessoas e isso foi essencial para poder prosseguir com a minha escrita. A minha dissertação final foi o meu maior desafio (um longo poema sobre o amor de Pedro e Inês todo em inglês) e teve uma nota excelente.

Após o final do curso fiz um mestrado em Publishing. O próprio curso e a minha desilusão levaram-me a ficar um ano parada, o máximo que alguma vez estive. Até quem em Outubro comecei a entender que o meu lugar era do lado de cá da página e reatei a obra que tinha iniciado durante os meus tempos na Faculdade de Letras. Finalmente, completei
Isabel, o meu segundo livro.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Agradecimentos

Gostaria de agradecer a todos os que me seguiram nesta aventura de escrever e publicar um livro online. Esta história foi um grande desafio para mim e ajudou-me muito saber que tinha leitores fiéis à minha espera e que contavam com desenvolvimentos todos os dias.

Um obrigado especial aos que me deixaram comentários, encoranjando-me e oferecendo-me perspectiva. Às vezes foi muito díficil viver dentro da cabeça do Vicente. O final deste livro atormentou-me durante mais de seis meses e embora seja doloroso, também é gratificante dizer adeus ao mundo do Vicente, um mundo que me ensinou a ser mais tolerante e a ser mais compreensiva e a aprender que às vezes o mundo também pode ser cinzento.

Finalmente, se alguns dos meus leitores quiserem deixar algumas questões nos comentários, eu terei todo o prazer em responder.

Obrigada,
Inês