terça-feira, 28 de outubro de 2008

Capítulo III - Parte 5: Mas eu entendia

-Professor, eu escrevo...Quero dizer...Eu até tenho vergonha de confessar mas...eu identifico-me com aquilo que disse. Eu sou uma escrava da caneta. Escrevo mais por obrigação do que por gosto. Às vezes nem quero escrever porque ao escrever estou a reviver as minhas dores, mesmo as que nunca senti, mas não consigo evitar, quando dou por mim já é tarde demais...E sinceramente, não sei se isto me faz sofrer ou se me alivia, só sei que não posso controlar este apelo...

Os olhos de Ana Maria reluziam e as pessoas em volta fitavam-na com um misto de medo e admiração. Porém, era um modo de olhar muito diferente daquele com que Ana Maria me olhara. Era um olhar repreensivo, de quem julgava a pobre jovem insana. Fiz uma pausa e aconselhei mais baixinho:

-Não tentes dominar esse impulso. Será pior para ti. Se assim é, tu nasceste para escrever, é um dom e tens a obrigação de agarrá-lo com as duas mãos. Há poucas pessoas assim. Agora, se escrever te impede de seres feliz, não estranhes. Os escritores precisam da dor, precisam de ser vulneráveis, talvez também volúveis e inconstantes. Persegue a escrita servilmente para que os outros sigam a leitura conscientemente.

-Não me acha presunçosa e arrogante?

Questionou-me com um ar arrojado bem distante daquela fragilidade e fraqueza com que ela se apresentava habitualmente. Ana Maria era mesmo uma criança diferente, só a escolha daqueles adjectivos reflectia a maturidade vocabular que não conhecia tão bem.

-Mas porquê, Ana Maria?

-Eu estou aqui a falar que escrevo mas não pense que o que escrevo é alguma coisa de valor. Às vezes olho para os meus escritos e tenho vergonha. É tudo tão óbvio, tão previsível, tão infantil...Não produzo nada de útil. Embora, por vezes, escreva coisas inúteis mas, no dia seguinte, reencontro a folha amachucada, desembrulho-a e vejo que não está assim tão mau. Contudo, na generalidade, não aprecio o que escrevo e quanto mais tento elaborar pior é!

Sorri espantado! Se fosse possível conceber um molde do artista, Ana Maria encaixava-se nele na perfeição: a precocidade, a necessidade de trabalhar, a relação amor/ódio com o talento, a insatisfação permanente, a exigência de aperfeiçoamento...Ana Maria era uma escritora em potência.

-Não te iludas...Nunca aquilo que escrevas vai ser bom. Nunca te vais sentir merecedora de uma publicação. Em situações de teste ou confronto, vais sempre sair-te mal, isto se sequer te prestares a esse tipo de ocasiões...

Ana Maria descaiu os olhos castanhos. O metro estava a parar. Ela levantou-se embaraçada e arrependida e disse-me:

-Adeus. Até à próxima aula – e saiu.

Repensei nas minhas palavras e em como elas poderiam ter sido a causa daquela saída magoada. Saí antes das portas se fecharem e atropelei as pessoas à procura da minha aluna.

-Ana Maria! – ela não me ouviu. Puxei-a pelo braço – Ana Maria! Não! Entendeste mal!

-Não! O Professor conhece a minha escrita e sabe muito de literatura. Se diz que tenho a cabeça cheia de ilusões e que não escrevo nada de jeito, não se preocupe, eu nunca vou tentar comprar publicação de uma obra... – os seus olhos já lacrimejavam.

-Vês?! Entendeste mal! Antes de tudo, ainda és muito nova, tens que atingir uma certa maturidade psicológica e literária. Há um monstro criativo dentro de ti que terás de aprender a dominar. E depois, o que quis dizer foi que tu, TU nunca vais ser capaz de reconhecer o teu talento, os outros sê-lo-ão. E quanto às publicações...Isso nem é o mais importante, tu sabes...Pessoas como tu, como o Almeida de Andrade, não procuram a escrita para alcançar a fama, elas escrevem porque assim tem de ser. Muitas vezes, vocês têm de recorrer à publicação para terem um trabalho, outros porque são artistas e exporem a sua obra só fá-los-à lutar pela perfeição. Seja como for, tu nunca vais parar de escrever.

Ana Maria olhou para o chão. As pessoas continuavam a atropelar-se para saírem da estação e eu e ela permanecíamos ali parados a conversar sobre coisas que não interessavam a ninguém. Era tão raro encontrar alguém para poder falar destas coisas. Ana Maria devia sofrer, pensei. Tão madura com tão tenra idade, tão dotada num círculo que não a apreciaria. Sozinha num mundo que tão poucos conheciam. Aquela nossa conversa devia ter-lhe surgido como os raios de Sol inundando uma clareira. Ergui o pulso para ver as horas, já era tardíssimo. Na minha cabeça ainda martelavam as ignorantes e desprezíveis palavras de Helena. O pior de tudo é que tinha de voltar a vê-la e tinha saudades da minha pequenina Isabelinha. Gostava que fosse como a Ana Maria mais ainda faltava tanto tempo para ela crescer.

-Ana Maria, dá-me a tua mão – ela estremeceu e com delicadeza ergueu a mão nervosa e amedrontada. Tirei do bolso do casaco uma caneta, agarrei a sua mão e escrevi o meu telemóvel na sua pele tenra e macia – Se precisares de falar, já sabes...Depois de amanhã devo voltar às aulas. Agora tenho de ir. Até depois, Ana Maria. Foi um prazer conhecer-te melhor. Ela esmiuçou um “Muito obrigada” e um “adeus” que eu mal ouvi. Ana Maria falava muito baixo, quase num murmúrio. Era o medo de ser ouvida, o medo de falar naquela linguagem que ninguém mais entenderia. Mas eu entendia, ela não precisava de temer-me. Eu não ia rejeitá-la como os outros.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Capítulo III - Parte 4: O Metro

Entrei no metro e sentei-me num lugar vago daquela carruagem. Não me quis aborrecer procurando um lugar junto da janela e agora tinha de aguentar com aquele constrangimento de não saber para onde olhar. Em frente estava uma senhora, não podia ficar com o olhar preso nela...Para baixo também estava fora de questão, ela estava de saia e tão perto de mim que o meu ângulo mais fechado apanharia o suficiente das suas longas e elegantes pernas. Se quisesse fitar a janela acabaria por estar mais a olhar para o meu vizinho do lado do que para as paredes velozes dos túneis intercaladas com a vivacidade fugaz dos passageiros nas estações. Ao meu lado esquerdo tinha um grupo de jovens estudantes nos seus treze anos, também não podia ficar a olhar para elas...Que maçada...Se ao menos tivesse trazido um livro para me entreter...Optei por colocar as mãos sobre o meu colo e dobrei o meu pescoço o mais que pude para olhá-las. Rodei a aliança continuamente, era grossa e pesada...Fixei a minha visão nas janelas do comboio, aquela vista irritante para a escuridão com tão breves e fugazes momentos de luz e esperei que o tempo passasse depressa e saísse dali.

Quando troquei de linha, felizmente, o comboio estava mais vazio. Naquela carruagem estavam seis, sete pessoas, no máximo. Sentei-me só, ao fundo da carruagem. Sentia-me cansado e triste. Apetecia-me deitar a cabeça sobre os braços e chorar. Eu sei que não é uma atitude muito masculina mas sempre fui dado a estes rasgos de sensibilidade que, por auto-disciplina, fui aprendendo a encarcerar no meu peito. Reergui a cabeça para evitar que dos olhos húmidos a gravidade obrigasse as lágrimas a cair. Um pouco mais è frente, avistei um corpo feminino, franzino, enterrando um rosto num livro aberto. O corpo, não o reconheci, porém, a capa do livro, era-me mais familiar do que as minhas próprias mãos: era o Laudo Amorem.

Sempre fui tímido. Não daquele tipo de pessoas introvertidas que fogem das multidões e são capazes de permanecer numa sala cheia de gente sem falar com ninguém por um dia inteiro. Isso, para mim, já não é timidez, é uma doença psicológica. No entanto, eu nunca fui dotado daquele talento para iniciar conversas, travar conhecimentos e sentir-me confortável na presença de desconhecidos. Só o Laudo Amorem me podia injectar de coragem para mudar de lugar e sentar-me à frente daquela leitora e perguntar-lhe se estava a gostar da obra. No momento em que ela afastou o livro do rosto, desiludi-me. Pensava ter encontrado mais um admirador do Almeida de Andrade, afinal era já uma velha conhecida:

-Oh Professor, estou a gostar tanto...Não consigo parar de ler. É inacreditável o modo como as palavras se colam ao enredo... – confessou Ana Maria envergonhadamente e quase num tom desesperado.

-É...As palavras e a história amam-se quase como Lídia e Miguel, inseparáveis nos seus corações. Ainda bem que estás a gostar, é uma obra admirável e fascinante em todos os sentidos.

-Hoje não adormeço sem acabá-lo.

-Não tenhas pressa. O mais importante é ires reflectindo. Não basta ler uma obra, atravessar os olhos pelas palavras, mesmo que se as siga, como uma melodia encantadora. Isso não é ler, isso é ver as palavras ordenadamente. Ler é sentir, é entender, é absorver, reter, pensar, saborear...É pena que isso não se ensine na escola, nem na Faculdade sequer. Ninguém cultiva a leitura. Somos ensinados a ler para reconhecermos regras e estilos, escolas literárias, para aprendermos as leis da escrita e gramática; para interpretarmos ideias, conceitos dentro de um determinado contexto sem extrapolarmos a realidade linguístico-literária e vê-la com os nossos próprios olhos, os olhos da nossa vida... – nesta altura, Ana Maria encostou-se ao banco desconfortável – E com que propósito escrevem as verdadeiras mentes iluminadas? Não me refiro àqueles que o fazem por necessidade económica, por amor à fama ou por lazer, refiro-me a todos aqueles que escrevem porque são obrigados! Obrigados pelo seu espírito, impelidos por uma força divina, não sei...Só sei que não têm escolha se não escrever e caso não o façam, sentem a alma definhar, amarrotar-se como os rascunhos que eles não escreveram. Escrever, em si, tem de ser uma atitude meramente egoísta, de saciação pessoal, de submissão às palavras que se derramam pelas páginas como se fossem o próprio sangue do autor...Partilhar esse feito sim, é uma atitude generosa. Com isso aprendemos, evadimo-nos, adquirimos capacidades, o que for que seja que se procura na leitura mas ler mesmo, de verdade, é interiorizar a obra de um modo semelhante ao que o autor a exteriorizou...

Quebrei o meu discurso embriagado para respirar fundo. Ana Maria tinha as mãos cruzadas sobre o livro pousado no colo. Os seus olhos rasgados e castanhos fitavam-me num misto de êxtase e medo, quase hipnotizados pela força arrebatadora com que disparava as palavras complicadas em estruturas frásicas complexas. Ignorava a idade e tenra inteligência da minha alma. Ela dificilmente assimilaria a minha potência e ambição do meu discurso. Permaneci calado aguardando que o gelo do seu rosto se esbatesse. Mas o gelo não abrandava nem derretia, Ana Maria ruminava sobre cada palavra, deixava-a flutuar dentro de si até compreendê-la e sugá-la para si sem que nada pudesse acordá-la desta tarefa auto-proposta. Olhei-a com mais atenção e intensidade, como se a energia do meu olhar pudesse desenterrá-la de si mesma. O metro prosseguia veloz. A cada estação trocavam-se passageiros e lugares. Eu e Ana Maria continuávamos sem ninguém ao nosso redor mas a minha viagem naquele comboio estava a terminar, saía na próxima estação:

-Ana Maria? Estás bem? Eu saio aqui.

Ela ergueu os olhos e fitou-me com admiração.

-Eu também. Vou trocar de linha.

Ambos íamos apanhar de novo o mesmo metro. Fiquei sem saber se isso seria bom ou mau. Parecia-me que já tinha causado demasiado impacto naquele ser jovem e imaturo. Laudo Amorem já devia ter trazido as emoções dela à flor da pele e eu ainda fui discursar acerca do valor da literatura...Durante todo o percurso na estação da Alameda, Ana Maria caminhou sempre a meu lado, com um passo delicado e miúdo, sempre em silêncio. Só quando o metro chegou e nós nos sentámos é que ela falou.

-O Professor já pensou em publicar um livro seu?

Estranhei a pergunta.

-Um livro meu? Como? Eu não escrevo. Aliás, a única coisa que escrevo são os meus ensaios, as minhas reflexões sobre o Laudo Amorem.

Ela pareceu desiludida com a resposta. Desta vez, o comboio ia cheio de gente. Senti-me incomodado de partilhar a alta voz a minha paixão.

domingo, 26 de outubro de 2008

Capítulo III - Parte 3: Tinha (e tenho) dias

Voltei para casa mas não de carro. Deixei o carro no estacionamento do hospital. Amanhã de manhã, quando fosse buscá-las trazia o carro de volta. Por ora contentava-me a caminhar pelas ruas escuras e sujas da cidade.

Reflectia sobre a minha vida, a minha longa vida vazia onde fui abandonando tudo o que gostava desde o momento em que ela apareceu. O dia em que ela apareceu, a primeira vez que lhe toquei, o primeiro sorriso que lhe arranquei, o primeiro beijo, as promessas que fizemos...Todos esses momentos viviam dentro de mim e inundavam-me em alturas de melancolia e solidão como estas. Há tanto tempo que ela tinha partido...há tanto tempo e eu continuava sentir o cheiro da sua pele, o sabor do seu beijo, o tom baixo mas forte da sua voz...Não me perdoava. Os meses passavam e não me perdoava. Apesar de ter feito tanto para mantê-la perto de mim, não consegui. Parecia que quanto mais a prendia e lutava para a ter do meu lado mais a afastava para longe de mim. Ela era um espírito livre, quase um Anjo que se deixou emaranhar nas asas do Amor e eu nem soube aproveitar esse facto...

Às vezes pergunto-me se ela ainda se lembra de mim...Sim, às vezes pergunto-me isso porque a minha certeza geral é que ela pensa em mim e sente tanto a minha falta quanto eu sinto a dela. É possível eu pensar tanto nela e ela não pensar em mim. Não sei dela, nunca mais tive notícias dela desde que partiu naquele fatídico dia no avião da British Airways para Londres. Ocorreu-me ir ter com ela mas depois a raiva invadiu o meu coração e tudo o que mais queria fazer era esquecê-la e seguir com a minha vida. Quando dei por mim, estava casado, a minha filha tinha nascido e eu caminhava perdido pelas ruas de Lisboa com ela na minha cabeça e no meu coração...

Era ela que me impedia de ser feliz. Ou melhor, era não a ter que me impedia de ser feliz. Se a tivesse ao meu lado, tudo o resto correria bem. Fui tão tolo em não ter entendido isso logo. É o que dá quando miúdos se apaixonam por mulheres de verdade. E ela era uma verdadeira mulher em toda a acepção da palavra. Não era só bonita, era atraente, era sensual, era a mais bonita de todas. A sua timidez só a tornava mais apetecível. Era doce, gentil, meiga, suave, intensa...Tinha uma frieza e um calculismo inéditos que invulgarmente se casavam com uma extrema sensibilidade e paixão. Tinha um carácter forte, forte demais para eu aguentar. Um feitio horrivelmente dominador e arrogante, as suas ideias tinham sempre de se sobrepor e se tivesse de lutar sozinha contra o mundo, ela lutaria. Os seus ideais eram originais, por vezes entravam em contradição mas ela parecia ter sempre isso sob controlo, na manga guardava todos os argumentos estudados para defendê-los com veemência e credulidade. Era uma mulher tão forte e tão frágil ao mesmo tempo. Eu sentia-a quando ela caía nos meus braços e se entregava num beijo, a respiração ofegante quando lhe tocava...ela era frágil. Tinha momentos em que se retirava do seu pedestal e descia para me abraçar e procurar protecção. Eu adorava protegê-la, sentir o seu corpo pequeno aninhado no meu totalmente entregue. Outras vezes ela insurgia-se como um furacão pronto a avançar no seu caminho e a derrubar tanto quanto lhe aparecesse à frente. Tirava-me do sério, para o bem e para o mal.

Tinha (e tenho) noites em que acordo, encharcado em suor, desejando tê-la, possuí-la, deitá-la e amá-la até à minha exaustão, talvez até à minha morte, sentir o seu corpo exangue, extenuado, vibrando comigo, ardendo comigo, matar toda esta vontade que tenho de comprimi-la contra mim e que ela nunca me deixou saciar! Noutras noites acordo mais sereno mas igualmente encharcado em suor e lágrimas, querendo apenas abraçá-la, acariciar-lhe o cabelo, beijar ao de leve os lábios, afagar-lhe a mão, ouvi-la falar, contar as suas histórias, estar do lado dela....

Sou obcecado por ela, não tenho ilusões. Nunca entrei em paranóia o suficiente para ter alucinações nem nada, sou simplesmente obcecado. Ela não regula a minha vida, consigo concentrar-me noutras coisas, quem sabe até passar meio-dia sem me lembrar dela mas ela é sempre a primeira e a última coisa que penso quando acordo, pelo menos. Nunca olhei para Helena na esperança que o seu rosto aquilino e magro se transformasse no dela, estava são o suficiente para não crer nessa impossibilidade mas nada me impedia de desejar todas as noites que o corpo deitado ao meu lado, naquela cama larga e fria daquele quarto vazio e inócuo fosse o dela, o da minha mulher. Por ela esperei tanto tempo, por ela continuava a esperar. Acreditava no fatal destino, fatal destino que nos cruzou que a deixou marcar-me desta maneira, ela havia de voltar para mim exactamente do mesmo modo que partiu. A vida há-de se encarregar de ma trazer de novo nem que seja às portas da minha morte.

A noite caía e eu já nem sabia onde estava. Andei durante duas horas por ruas e ruelas, procurando sempre as mais escuras e desconhecidas ignorando o perigo. Quando dei por mim estava na Praça de Espanha, talvez fosse altura de apanhar o metro e voltar para o Hospital ou então para casa. Atravessei a estrada com prudência, aproximava-se a hora de jantar e o trânsito já estava mais disperso, mesmo assim, os mais atrasados ou apressados teimavam em carregar com força no acelerador. Não me podia queixar deles, eu fazia o mesmo. Ignorava as regras de trânsito, porém nunca conduzi sob o efeito do álcool nem nunca fiz daquelas manobras perigosas em plena auto-estrada. Apenas gostava de andar depressa e tentar passar à frente dos outros sem por as suas vidas em perigo, claro. Era um bom condutor na generalidade. Tinha carta desde os dezoito e ainda só tinha feito um arranhãozito no carro. Entrei no metro, na estação velha e suja. Tirei um bilhete, validei-o e aguardei o meu transporte. Optei por ir para casa, a última coisa que estava com vontade de fazer era ver Helena de novo, apesar das saudades que já tinha da minha Isabel. Tinha um longo caminho de metro para fazer. Tinha de trocar de linha duas vezes e percorrer essas linhas quase por inteiro. Pensava agora se não teria valido mais a pena ir de autocarro, pelo menos sempre via a cidade.