terça-feira, 1 de maio de 2012

(RE)Começar

Há uns tempos que ando a tentar "cozinhar" um novo livro. O meu processo de criação é bastante moroso nesta fase. Durante esta altura eu não escrevo. Quando me surge a ideia, guardo-a preciosamente na minha gaveta mental e deixo-a amadurecer e se ela, lá no quentinho da minha mente, nunca apodrecer, trago-a de volta ao meu consciente e começo a desenvolvê-la. Isto sempre sem escrever nada, um mero exercício de indulgência mental e criativa.

Entre "Dentro de Ti", o meu desconhecido romance "teenager" e "Isabel" passaram 10 anos (ainda que na prática, "Isabel" tenha sido iniciado em 2002). E agora já lá vão quatro anos sem começar a escrever...Mas a verdade é que a história da Sandra (nome que me surgiu assim que visualizei a primeira "cena" do livro) já anda cá dentro há pelo menos um ano. Na verdade, estive quase, quase a começá-la no final do ano passado mas circunstâncias de vida levaram-me a adiar o projecto. A verdade é que a história da Sandra tem começo e muito como a do Vicente, ainda não tem meio nem fim bem definido, e assim não dá para começar. Tenho-a a ela, Sandra, com 31 anos e uma profissão exigente que ainda não decidi qual. Não posso adiantar muito mais, senão que quando começar a escrever esta história vocês serão os primeiros a saber e assim que tiver um bom avanço de 3-5 capítulos começarei a publicar tudo aqui, como fiz com a história do Vicente.

No entanto, a escrita não ficou abandonada...Tenho escrito poesia que estou a adicionar à minha antologia a ser publicada quando achar que tenho poemas suficientes e de qualidade para justificar o vosso tempo e dinheiro. Para breve teremos um ou outro poema a fazer uma visita aqui.

Até lá, aproveito para dizer que "Isabel" já vendeu 15 cópias (vá, não se riam porque para mim já é muito bom) e que se encontra neste momento a um preço mais acessível.

Abraços.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Palavras nas Mãos

Caros Leitores,

Decidi dar um novo nome a este blog já que pretendo que este seja o meio de divulgação dos meus trabalhos. "Isabel" foi um ciclo que já ficou para trás, sobretudo com a sua publicação em Junho deste ano. Um grande obrigada a todos os que compraram e leram esta obra que tanto prazer me deu escrever.

Porquê "Palavras nas Mãos"? É muito simples. Desde pequena que mostrei uma grande aptidão para a escrita que contrastava com a minha dificuldade em expressar-me oralmente. Ainda hoje sou assim, capaz de perder-me em palavras escritas e extraordinariamente parca em palavras faladas. Como eu costumo dizer, as palavras fugiram-me para o papel.

Além da reactivação deste blog, onde predominará a divulgação da minha escrita mas também discussões literárias, linguísticas e ocasionalmente, sociais, o final deste ano também vai trazer a divulgação de duas novidades muito importantes por isso fiquem atentos.

Até breve,

Inês.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Novos Desafios

A partir de agora só os primeiros três capítulos de "Isabel" estão disponíveis neste blog. Este facto deve-se à publicação em formato digital do livro através da Amazon Kindle.

Este blog passará a ser dedicado à divulgação do meu trabalho como escritora e um lugar de debate literário.

Para adquirirem Isabel basta clicar em http://www.amazon.com/Isabel-Portuguese-Edition-ebook/dp/B00570ATMM/ref=sr_1_1?ie=UTF8&m=A7B2F8DUJ88VZ&s=digital-text&qid=1308764084&sr=1-1 .

Obrigada pelo apoio e boas leituras.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Entrevista sobre Isabel - Parte III

Kangas – Embora alguns leitores tivessem já em mente que Vicente poderia acabar da forma como acabou, nenhum de nós o imaginou da forma como realmente aconteceu. Tu sempre fugiste do previsível e fácil criando sempre algo diferente e com muito mais beleza e complexidade. Como consegues criar uma surpresa em cada capítulo?

Inês – Evitando o mais que posso a previsibilidade sem tornar o trabalho em algo rebuscado. O livro ter acabado da forma que acabou não foi totalmente uma surpresa, mas eu tentei fugir daqueles finais mais cliché. Eu gosto de livros que me desafiem, que me mantenham a pensar e a pedir mais, seria complacente da minha parte, como escritora, fazer algo inferior a isso. Isto significa que eu escrevo o que eu quero que aconteça, eu não escrevo para agradar aos leitores. Parece egoísta eu sei …

K – Este foi sem sombra de dúvida um final magnífico para esta história. Não só traz um pouco de “pimenta” a todo o livro como cria um certo suspense deixando o leitor a pensar “o que acontecerá a seguir?” Foi este o final que sempre imaginaste para Vicente?

I – Oh meu Deus eu nem quero pensar em todos os cenários diferentes que imaginei para o final deste livro! Foram mesmo muitos. Por momentos andei obcecada que alguém teria de morrer. Então percorri a lista das personagens e concluí que não podia matar ninguém. Eu não queria um final pesado e acima de tudo não queria dar a Vicente o "prazer” de ter um catalisador fatal. Eu penso que não queria que as pessoas sentissem pena de Vicente, eu queria que ele se tornasse numa personagem respeitável por si próprio. Penso que se Vicente fosse real teria gostado deste final, algo diferente poderia ter sido injusto ou irrealista.

K – Serão aquelas “Telas Brancas” um mote para a tua próxima obra?

I – Novos começos ... quem sabe?

K – Almeida de Andrade. Escolheste o nome de dois grandes escritores portugueses (Almeida de Garrett e Eugénio de Andrade) para o pseudónimo de Isabel. Terá sido uma espécie de homenagem a estes dois grandes nomes da Literatura Portuguesa?

I – Sim, claro. Não posso descrever por palavras o quanto Almeida Garrett me influenciou. Um escritor tão talentoso e versátil: prosa, poesia, drama. Ele é o Romântico da literatura portuguesa. Eugénio de Andrade é uma alma pura e a sua poesia criou uma certa ingenuidade que parece ter combinado bem com todo o livro. Quando comecei a escrever este livro, ele ainda não tinha falecido ...

K – Tenho a certeza que a publicação deste livro estará obviamente nos teus planos, mas sei também que é muito difícil entrar neste mercado. Na tua opinião, porque será tão difícil para uma boa história como a tua entrar no mercado quando vemos tanta coisa sem qualidade á venda nas livrarias?

I – Uma “boa hostória" é um termo relativo. Em Portugal não existem muitos leitores. E por leitores eu denomino aquelas pessoas que lêem mais de seis livros por ano. Ler é ainda visto mais como uma actividade de férias e com o crescimento da portabilidade da música, filmes e a Internet, a leitura está a perder adeptos. Por isso quando te estás a dirigir a uma audiência que procura um passatempo ligeiro e rápido, podes esperar que queiram ler histórias complexas? Não podes, e os editores sabem disso. Existem alguns livros de boa qualidade no mercado, de vez em quando um deles torna-se num bestseller, mas acima de tudo eles são livros que não tocam ninguém mas que também não desapontam o leitor. Nessa perspectiva "Isabel" é quase impublicável e se for publicado, duvido que seja por uma editora poderosa capaz de fazer dele um bestseller.

K – Antes de me despedir gostaria de te colocar uma última questão. Para quando teremos um sucessor para "Isabel"?

I – Não sei quando, mas haverá um. Eu necessito tempo para deixar descansar “Isabel”, para me purgar de Vicente e encontrar um novo tema e uma nova personagem ou personagens que sejam dignas do tempo de alguém.

Muito obrigado Inês por esta magnífica entrevista. Desejo-te muita felicidade e sucesso para a tua futura carreira.

Podem ler a versão original (em inglês) em History of My Life.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Entrevista sobre Isabel - Parte II

Kangas - Tu criaste também um pouco de controvérsia com a relação entre Vicente e Ana Maria. O que pensas sobre a relação entre um professor e uma aluna? Pensas que não existe um lugar para uma amizade entre estas duas pessoas na nossa sociedade?

Inês - Claro que não. Vivemos numa época em que as crianças são educadas para temerem os pedófilos e qualquer adulto desconhecido não é um potencial amigo mas um potencial pedófilo. Eu não penso que a sociedade aceitaria uma amizade entre um adulto e um criança/adolescente a não ser que estes fossem familiares (e mesmo assim seria escrutinada). Com um professor e uma aluna a situação torna-se ainda mais complicada, pois a sua relação não deveria transcender a sala de aulas. Eu sei que fui um pouco atrevida com aquela relação mas eu queria mostrar diversos pontos de vista, espero no entanto que nunca se tenha tornado perverso para o leitor.

K – Tu abordaste assuntos bastante sérios neste excelente livro. Um deles foi o divórcio e a custódia das crianças. Quem pensas que deveria ter sempre o direito à custódia das crianças?

I – Ninguém deveria ter sempre a custódia das crianças, nem mesmo os pais biológicos. É uma questão de avaliar o que é melhor para a criança e quem está apto a dar-lhe todo o amor e estabilidade que uma criança necessita, quer a nível emocional como financeiro.

K –No caso de Helena, ela mostrou não ser assim tão espectacular como mãe. Acreditas que Vicente estava mais preparado para essa responsabilidade? O que te levou a tomar a decisão de deixar Isabel a viver com o pai?

I – Helena foi uma excelente mãe até que a sua própria saúde se meteu no seu caminho, nesta altura acho que ela fez o seu melhor. Helena estava bastante deprimida depois de Vicente quase abandoná-la, e ainda assim, por um longo período de tempo, ela cumpriu todas as suas obrigações como mãe. Quando a dor começou a interferir com a forma como tratava da sua filha, ela foi-se embora. Tendo lido um pouco sobre depressão pós-parto achei a decisão dela muito madura. Eu sei que ela é uma menina rica e mimada e que iria procurar a ajuda de amas e empregadas mas não necessariamente por desinteresse. Na minha opinião, Vicente não estava de forma alguma mais bem preparado para tratar da filha, se Helena nunca se tivesse ido embora, ele nunca teria passado tanto tempo com a sua filha. Se Vicente nunca tivesse de ter escolhido entre Isabel e o amor da sua vida ele nunca o teria feito. No final, eles repartem a custódia, embora Isabel passe mais tempo com Vicente. Em última análise, é muito dificil encontrar uma partilha na custódia dos filhos 100% justa e isso põe imensa pressão na criança. Helena teve também um intenso processo de auto-desenvolvimento e recuperação a fazer antes de poder voltar a ser uma mãe a tempo inteiro.

K – Toda a história girou á volta de “Laudo Amorem”, um livro sobre uma apaixonada história de amor entre dois jovens; no final temos “Telas Brancas”. Tu acabaste por criar dois livro dentro de um. Como foi criar essas histórias dentro de “Isabel”?

I – Foi bastante difícil! Houve alturas em que pensei que teria de escrever “Laudo Amorem” primeiro. Eu criei “Laudo Amorem” como o amor de fantasia de Vicente. “Laudo Amorem” é bastante eficaz a justificá-lo, tudo o que ele queria era a relação das personagens do livro, mesmo que uma delas morresse no final, ele não se importava desde que sentisse aquele tipo de amor. “Telas Brancas” não necessitou de tanto empenho uma vez que apenas aparece no final. E assim como representa um novo começo na vida autora, representa também um novo começo na vida de Vicente.


Podem ler a versão original (em inglês) em History of My Life.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Entrevista sobre Isabel - Parte I

A minha estimada leitora Kangas é autora de um blog e de um jornal que envia para os amigos quinzenalmente. A Kangas entrevistou-me no mês passado para um exclusivo nas suas publicações que eu partilho agora com vocês em partes mais pequenas.

Kangas - Depois de quase um ano vivendo a vida de Vicente Vaz como te sentes agora que finalmente acabou?

Inês – Triste. Aliviada. Feliz. Esgotada. É muito gratificante quando se acaba algo que consome tanto do nosso tempo e mente como escrever um livro, mas ao mesmo tempo, deixa-nos um pouco perdidos e vazios. Há também muita insegurança, eu continuo a pensar se haveria algo mais que eu poderia ter feito e não fiz. Ao mesmo tempo é um alívio não ter de analisar todos os aspectos da vida aos olhos de Vicente.

K – Acredito que deva ter sido bastante dificil para ti encarnar uma personagem como o Vicente. Como foi para ti entrar e explorar a mente de um homem como Vicente Vaz?

I - Foi mesmo bastante difícil. O Vicente é muito diferente de mim. Partilhamos a mesma paixão pela literatura e pela arte, mas penso que a semelhança entre nós acaba aqui. O Vicente vive a vida julgando demasiado as pessoas, ele é muito senhor da verdade e infantil e emotivo e eu sou bastante mais racional. Para mim ter escrito Vicente foi entender o “outro lado da história". Isto acaba por ser um pouco irónico, pois apesar de Vicente ser tão crítico em relação às pessoas, o livro propriamente dito leva a uma ideia de tolerância e aceitação de que há sempre dois lados para cada história. O Vicente é uma combinação de várias pessoas que conheci e as suas características que me irritaram mais. Porque razão quis viver dentro da mente da pessoa que mais abominaria é algo que não sei, mas penso que esta seja talvez a minha forma de entender e perdoar os “Vicentes” da minha vida. Para me manter mais focada e em contacto comigo mesma dei a Vicente uma profissão que respeito muito e fiz-nos ter alguns interesses em comum. Admito que esse aspecto foi a minha consolação quando Vicente se tornava demasiado insuportável para mim.

K- Quer Helena como Vicente criaram nos teus leitores uma certa relação amor/ódio. Isso também se verificou contigo? Alguma vez te sentiste dessa forma em relação a eles?

I - Em relação a Vicente sem dúvida alguma, ele é bastante desprezível, especialmente no início; Ele é possessivo, lamuriento e tolo. Contudo de vez em quando mostra-nos um laivo de brilhantismo, uma história do passado que nos faz sentir pena dele e isso é o suficiente para voltar ao nosso coração. Em todos os momentos, eu nunca parei de amar e odiar Vicente ao mesmo tempo. Nunca vi Helena dessa forma, talvez porque, de todas as personagens no livro ela era a que eu conhecia melhor. Eu sabia o que lhe ia acontecer e como ela iria acabar. Nunca a odiei, mas também nunca a achei uma personagem adorável. Fiquei surpresa com a falta de empatia demonstrada por certos leitores em relação a ela, mas isso fez-me sentir mais confiante em relação a ela, pois também não queria que ela fosse vista como a "coitadinha”.

K – No início deste maravilhoso livro Helena parecia ser uma mulher submissa e vítima de abuso que depois desenvolveu numa personagem bastante diferente. Alguma vez acreditaste que ela fosse realmente uma vítima?

I- Ela era tão vítima quanto Vicente. Ambos se apaixonaram pela pessoa errada e sofreram as consequências disso. Sem dúvida que Vicente quase podia ser considerado psicologicamente abusivo para com ela, mas eu sempre soube que Helena tinha força suficiente para lutar contra isso.

K – Alguma vez esteve na tua mente criar uma Helena frágil e fraca?

I- Não, mas ela passou por tempos bastante difíceis. Ela nunca tinha ouvido falar de Isabel até ter dado á luz a filha de Vicente. Descobrir que o pai da tua filha ama outra pessoa e que está disposto a largar tudo por essa pessoa é muito difícil. Helena sofreu de depressão pós-parto e daí ter-se tornado mais frágil e fraca, mas como disse anteriormente, eu sabia que ela se iria recompor.

K - A verdade é que ela se torna numa mulher bastante diferente e à medida que lemos a história, esta desenvolve e nós descobrimos que existem diversos factores que afectam aquele casal e a forma como interagem um com o outro. Acreditas que algum deles foi um verdadeiro vilão?

I - Não. Mais uma vez, a moral da história digamos assim, é que existem sempre dois lados para a mesma história. Vicente cometeu erros, Helena cometeu erros. Contudo Helena amou verdadeiramente Vicente e se ele tivesse sido um pouco menos complicado, para por a questão de uma forma mais suave, eles podiam ter ficado juntos.

K – Não posso deixar passar esta questão. Quem é o vilão em “Isabel”?

I - Ninguém. Por mais aborrecido que possa parecer não existe vilão em “Isabel”. Não existe sequer um herói. Não posso ver as pessoas chamarem Vicente de herói, ele é muito conflituoso e faz demasiados erros para ser um herói.


Podem ler a versão original (em inglês) em History of My Life.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

"O mito é o nada que é tudo"

Hoje, a próposito do memorial do Michael Jackson lembrei-me de um dos melhores oxímoros da literatura portuguesa:

"O mito é o nada que é tudo"

Este é o primeiro verso de "Ulisses" de Fernando Pessoa em A Mensagem e por mais contraditório que seja, é bem verdade. A minha poesia não é forte em oxímoros, às vezes o seu impacto perde-se na sua complexidade, mas este é tão objectivo e tão descriptivo que não poderia haver melhor forma de descrever um mito.

Por mais vezes que leia A Mensagem, os mesmos versos que me apaixonaram há anos atrás ainda têm em mim o mesmo impacto. Esqueçam a mensagem pseudo-patriótica, A Mensagem é muito mais do que isso. Entristece-me o quão esquecido e o quão pouco apreciado é Fernando Pessoa em Portugal.

Pensando melhor, haverá algum poeta realmente apreciado em Portugal?